Como a chegada da primavera interfere na agricultura

Como a chegada da primavera interfere na agricultura


  • 27/09/2019

A chegada da primavera no hemisfério sul tem início em 23 de setembro.

Essa estação possui um clima mais equilibrado, tornando-se aliada do agricultor e do cultivo no campo. Com uma temperatura mais amena, há também maior umidade do ar, sugerindo teoricamente um maior equilíbrio ambiental onde a volta do calor condensa o ar, formando as chuvas. A chuva consequentemente umidifica o ar e a terra ajudando a combater o fogo que se espalha com muita frequência em queimadas intensificadas no período de ar seco.

 

Para o agricultor, compreender a variabilidade meteorológica da sua região é tão relevante quanto conhecer o solo e o tipo de cultura que será plantado. Seus resultados estão intimamente ligados a essas alterações. Existem regiões do país, onde o clima é favorável para determinados tipos de lavoura, já em outras a área agricultável é restrita por ele.

 

No Brasil, a primavera é uma estação de grande relevância. Nessa época, o setor agrícola começa a trabalhar suas lavouras de verão.

 

Apesar das expectativas serem grandes em torno da primavera, não se pode descartar o risco de alguns episódios de chuvas fortes, inclusive com possibilidade de eventos de enchentes e inundações. As lavouras de trigo do Paraná e do Rio Grande do Sul estão entre as mais afetadas pelo risco de excesso de chuvas na colheita.

 

Na região Sul, as condições climáticas se mostram favoráveis para o plantio de milho, em especial no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Para setembro e outubro as temperaturas devem entrar em gradual elevação, diminuindo o risco de frio tardio, o que beneficia diretamente o plantio desse tipo de grão, que é plantado mais cedo. Por outro lado, aumenta o risco de alguns períodos mais chuvosos nesses meses, em função da presença do El Niño, dificultando a plantação de soja e milho em alguns lugares. Vale advertir que, para a lavoura de arroz irrigado, o risco é ainda maior, por ser plantada em áreas de várzea.

 

O mesmo não acontece para o centro-oeste do Brasil, principalmente para os estados do Mato Grosso e Goiás, onde neste ano o retorno das chuvas não deve se antecipar, podendo atrasar o plantio da soja para agricultores que pretendem semear nos primeiros dias após o término do vazio sanitário. Para Mato Grosso do Sul, mais no sul do estado, as chuvas da primavera vão chegar mais cedo e com uma boa umidade do sol o plantio não deve atrasar.

 

Para a região Nordeste, mais especificamente no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia a incidência de chuvas para viabilizar o plantio e o desenvolvimento das plantas só deve ocorrer mais para o final de novembro, semelhantes às da safra passada.  Contudo, o produtor deve ficar atento na hora do plantio, uma vez que podem ocorrer episódios de chuvas no mês de outubro, todavia, isso não garante regularidade e continuidade das precipitações que serão intercaladas com períodos secos.

 

O agronegócio é responsável por grande parte do PIB brasileiro. Contudo, essa atividade tão importante para a economia do país é extremamente dependente da variação climática e das condições meteorológicas para a lavoura.