Como desenvolver uma aquicultura sustentável

Como desenvolver uma aquicultura sustentável


  • 18/10/2019

A aquicultura é uma atividade fundamental para assegurar que tenhamos proteína de qualidade no futuro.

Contudo, seu desenvolvimento deve estar alinhado à práticas responsáveis, visando um crescimento de forma ordenada e sustentável. 

 

O termo “sustentabilidade” que por sua vez está em alta no momento, foi levantado pela primeira vez em 1972 em uma Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, quando se discutia justamente o desenvolvimento econômico aliado ao desenvolvimento ambiental. Vinda do latim sustentare, a palavra “sustentável” significa "sustentar", "apoiar" e "conservar". Ou seja, é uma prática que visa garantir que tanto as necessidades da atual quanto das futuras gerações sejam supridas sem que haja um esgotamento dos recursos. 

 

O desafio é grande, até 2050 a previsão é de um aumento populacional próximo a 2 bilhões de pessoas, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas). Ou seja, teremos 9,7 bilhões de indivíduos no planeta para alimentar. Por isso, cuidar de como produzimos hoje é fundamental para que se tenha a continuidade da atividade no futuro.

 

A aquicultura vem se modernizando e encontrando formas de se desenvolver com um baixo impacto ambiental. O uso racional da água é uma das medidas que deve ser implementada. Sendo assim, é possível destacar tecnologias cujo aproveitamento da água é maior, como no sistema de bioflocos e de recirculação. Em ambos os sistemas a água é tratada, retirando os compostos nitrogenados mais tóxicos, como amônia e nitrito, e permitindo que a mesma água seja utilizada durante todo o ciclo e até mesmo reutilizada em ciclos seguintes. 

 

A aquicultura marinha também destaca-se por utilizar água salgada, um recurso amplamente disponível e que não há competição do mesmo para outros usos mais nobres, como no caso da água doce para consumo. Há muito ainda para se explorar, em especial no Brasil, com relação ao cultivo de peixes em água salgada. 

 

Cultivos integrados também são formas mais sustentáveis de produzir alimentos, uma vez que há um aproveitamento maior dos recursos e a descarga de efluentes é reduzida. Ele pode ser um policultivo com duas espécies no mesmo ambiente, ou então ainda mais eficiente, que é o caso do cultivo multitrófico integrado. No policultivo apenas uma espécie é alimentada e a segunda espécie irá utiliza-se das sobras de ração e da produtividade natural do tanque para crescer. No caso do sistema multitrófico, além de peixes e camarões, o sistema envolve também moluscos e algas, que irão contribuir para uma melhor qualidade de água e tornam-se uma fonte de renda extra ao produtor.

 

Para uma sustentabilidade ambiental vale destacar ainda o uso de rações balanceadas e de qualidade que proporcionem baixa lixiviação, principalmente em cultivos de tanque-rede; respeitar a capacidade de carga do ambiente; ter bacias de decantação para tratamento do efluente no caso de viveiros escavados e reduzir as taxas de renovação, fazendo somente quando estritamente necessário. 

 

Essas são algumas medidas que podem tornar a aquicultura mais sustentável do ponto de vista ambiental. Contudo, é necessário ainda ferramentas mais precisas para de fato avaliar a sustentabilidade na produção de organismos aquáticos, bem como medidas para tornar a atividade ainda mais sustentável.