Como o Brasil pode se tornar uma superpotência em aquicultura?

Como o Brasil pode se tornar uma superpotência em aquicultura?


  • 28/10/2019

Recentemente publicamos em nosso blog o texto “O Brasil pode se tornar uma superpotência em aquicultura?” e a conclusão foi de que sim, o Brasil pode se tornar uma superpotência aquícola. 

Isso porque, o país possui uma das maiores reservas hídricas do mundo, cerca de 12% de toda a água doce do planeta concentra-se aqui. A maior produção de grãos concentra-se aqui, ou seja, temos grande parte da matéria prima para a fabricação de rações. Temos também disponibilidade de mão de obra e uma dimensão continental gigante.

 

E como o Brasil pode se tornar uma superpotência nesse setor? Bem, os primeiros passos desse crescimento já foram dados. Em 2017 segundo levantamento da PeixeBR o Brasil entrou para o grupo dos maiores produtores mundiais de tilápia, atrás somente de China, Indonésia e Egito. Para 2019 a produção promete ser ainda maior do que no ano anterior quando foram produzidas 400 mil toneladas de tilápia. Esses números são puxados principalmente pelo estado do Paraná, maior produtor nacional de tilápia. A produção do estado é caracterizada por viveiros escavados, com alta produtividade, trabalhando quase que em sua totalidade através do cooperativismo. Cenário este que pode servir de modelo para os demais estados do país a fim de avançarem cada vez mais na produção desta e de outras espécies de peixes.

 

A segmentação da produção tem se consolidado cada vez mais. Principalmente na cadeia produtiva da tilápia já há quem produza os alevinos, quem faça a produção de juvenis e quem faça somente a parte de engorda dos animais. Tal medida pode ser estendida também para a produção dos peixes nativos, uma vez que traz maior biossegurança e profissionalização ao setor. 

 

A aquicultura brasileira tem feito cada vez mais o uso de aeradores para intensificar a produção, trabalhado com insumos de qualidade e aplicado as tecnologias que estão à disposição. Contudo, além do que já foi citado, o país possui uma espécie de “carta na manga” para fazer a produção dar um grande salto: o aproveitamento das áreas dos grandes reservatórios brasileiros, a exemplo de Itaipu, Três Marias e Ilha Solteira, para cultivo em tanques-rede. 

 

De acordo com dados da PeixeBR, caso haja a liberação dos pedidos que já foram realizados junto ao governo pelos produtores para o uso das áreas de Águas da União, os números de produção podem aumentar em cerca de cinco vezes.

 

Outro aspecto importante é a abertura de novas frentes de comercialização para colocar o pescado da aquicultura brasileira no mercado internacional. Com a conquista do Drawback para a exportação de tilápia e todos os seus subprodutos, a estimativas da Embrapa é de que o custo de produção da tilápia sofra uma redução de 12% a 37% devido à diminuição dos custos dos três insumos que foram desonerados, sendo eles: ração, alevinos e vacinas. Essa medida visa incentivar a exportação do produto brasileiro que dessa forma chega mais competitivo no mercado internacional. 

 

Certamente há ainda outros passos que o Brasil pode ajustar para aos poucos alcançar sua capacidade máxima de produção. Contudo, nos últimos anos o setor já evoluiu e tem tido crescimento positivo anualmente, o que anima as perspectivas futuras.