Criação de camarão no Paraná

Criação de camarão no Paraná


  • 28/11/2018

O estado do Paraná é destaque nacional quando o assunto é tiapicultura, com mais de 100 mil toneladas produzidas no ano de 2017, segundo dados da Peixe BR.

Grande parte desta produção concentra-se na região oeste. Contudo, outra espécie que tem chamado a atenção destes produtores é o camarão de água doce, Macrobrachium rosenbergii.

 

Como todo camarão, sua carne é considerada nobre, com sabor mais suave e a textura mais delicada. Para quem olha pela primeira vez até pode achar que trata-se de uma lagosta, pois é um camarão de grande porte com quelas enormes. Popularmente é chamado de camarão gigante da Malásia. Além disso, essa espécie tem atraído a atenção dos produtores porque é possível realizar o seu cultivo em conjunto com a tilápia! São os chamados Policultivos.

 

Esse policultivo tem a vantagem de apenas uma espécie ser alimentada, no caso a tilápia, que por sua vez vive na coluna d’água. O camarão, que é de hábito bentônico, alimenta-se dos restos de ração e outros detritos do fundo do viveiro. Ao final do cultivo ao invés de despescar apenas a tilápia o produtor tem também o camarão, que proporciona uma renda extra a um baixo custo de produção.

 

Recentemente o policultivo no Paraná ganhou fôlego graças a instalação do Lacqua, um laboratório especializado na produção de pós-larvas deste camarão. O laboratório está localizado em Palotina, oeste do estado. Além dele, a Universidade Federal do Paraná (UFPR), que possui um campus em Palotina, desenvolve desde 2010 um projeto com produtores buscando estimular a produção do camarão de água doce e contribuir para o desenvolvimento dessa atividade na região. É mais uma possibilidade para quem já está na atividade ou para quem deseja entrar. Afinal, o camarão de água doce também pode ser produzido sozinho, é o chamado monocultivo.

 

O peso final de despesca é muito maior do que o camarão marinho comumente cultivado no Brasil. Em geral os produtores tiram esse camarão do viveiro com cerca de 40 gramas e leva em média 4 meses de cultivo. O povoamento tem início quando começa a esquentar, entre setembro e outubro. Primeiro é povoado as pós-larvas de camarão e entre 15 e 30 dias depois é povoado as tilápias. Em média são usadas 3 a 4 tilápias e 10 camarões por metro quadrado. Um fator importante é o oxigênio, os camarões não são animais tão resistentes quanto a tilápia, assim, é preciso manter esse parâmetro acima de 3 mg/L.

 

O preço de venda é a partir de R$ 40,00 o quilo. Contudo, apesar de parecer um nicho de negócio muito bom é preciso que o produtor fique atento para o momento de despesca dos animais. Quando os camarões são retirados do tanque o abate precisa ocorrer imediatamente em gelo para que sejam mantidas as características e qualidades da carne.

 

O detalhe da despesca é essencialmente importante para que a imagem desse camarão que começa a entrar no mercado, não seja distorcida. Outro ponto é que não há ainda um mercado sólido de consumidores. Esse por sua vez é outro detalhe que deve entrar no planejamento antes de se investir alto nessa espécie. Cautela é o que se deve ter, mas sobretudo, os produtores estão animados e a atividade com o camarão de água doce promete render bons frutos no estado do Paraná.