Dicas para reduzir a perda da água em viveiros escavados

Dicas para reduzir a perda da água em viveiros escavados


  • 04/10/2019

Grande parte da produção aquícola brasileira se dá em viveiros escavados.

Sendo assim, é fundamental compreender alguns aspectos como o tipo de solo e sua influência na perda de água, a fim de se evitar problemas no andamento do cultivo.

 

 

As perdas de água em um viveiro se dão por evaporação, o qual é um processo natural, não podendo ser evitado, e por infiltração da água no solo. Nesse último caso pode ser em maior ou menor grau dependendo de alguns fatores, principalmente o tipo de solo. Em regiões cuja disponibilidade de água é alta, essa pode não ser uma preocupação do produtor, contudo, em grande parte dos casos a perda de água é um fator importantíssimo, que consome além de um recurso escasso, tempo e dinheiro ao ter que tratar e bombear um volume maior de água para reposição.

 

 

Dessa forma, antes mesmo da construção de um empreendimento aquícola é essencial que se conheça qual é o tipo de solo predominante no local. O recomendável é que o solo tenha entre 15 a 30% de argila em sua composição, uma vez que a argila possui uma granulometria bastante reduzida (< 0,002 mm), favorecendo a compactação no solo. Além disso, apresenta uma maior quantidade de cargas que os demais tipos de solo e isso está diretamente relacionado à capacidade de retenção de água. Solos arenosos por exemplo possuem uma menor quantidade de cargas e por isso retém menos água. 

 

 

Solos siltosos (0,002 - 0,06 mm) e arenosos (0,06 - 2,0 mm) cujas partículas são maiores não possuem boa compactação, sendo mais suscetíveis a infiltração e erosão dos taludes. Contudo, existem algumas estratégias que podem ser adotadas para lidar com uma situação adversa quanto ao tipo de solo e minimizar os problemas com infiltração.

 

 

A primeira delas é a incorporação de agentes que colaborem para a redução da infiltração. Atualmente existem alguns produtos comerciais para isso, mas também pode se apelar para a aplicação de matéria orgânica no fundo, ou algumas substâncias químicas como sal comum e hidróxido de sódio. Uma sugestão pelos pesquisadores da Apta - SP, é de que a aplicação de matéria orgânica deve ser feita em camadas de esterco fresco, principalmente o bovino, sobre o fundo do tanque. O esterco precisa ser umedecido e posteriormente coberto pela água de preenchimento.

 

 

Outra estratégia, já bastante difundida, é o isolamento do solo. Esse isolamento pode ser com concreto ou de geomembrana. Apesar de ser uma das melhores opções, há de se tomar cuidado no manejo, uma vez que a água não terá mais o contato com o solo, a dinâmica de alguns parâmetros será alterada, como oxigênio dissolvido, transparência e pH. Contudo, além de evitar a infiltração, este isolamento permite uma maior biosseguridade aos animais que estão sendo cultivados, em especial no caso do cultivo de camarão, que tem os vetores de uma de suas mais temidas doenças, a mancha branca, em siris, caranguejos, copépodos, poliquetas e outros animais de fundo.