Diferença entre atividade aquícola em água doce e salgada

Diferença entre atividade aquícola em água doce e salgada


  • 30/08/2019

A aquicultura é uma atividade que engloba o cultivo de organismos tanto de água doce quanto de água salgada.

Somada a produção desses dois ambientes, segundo relatório da FAO, em 2016 foram produzidas pela indústria aquícola mundial (incluindo plantas aquáticas) 110,2 milhões de toneladas. O grupo mais produzido foram os peixes (54,1 milhões de toneladas), seguido de algas (30,1 milhões de toneladas), moluscos (17,1 milhões de toneladas) e crustáceos (7,9 milhões de toneladas).

 

No Brasil a aquicultura de água doce predomina em relação a de água salgada. Sobretudo, pela intensa produção de peixes em lagos de reservatórios (principalmente tilápia) e em viveiros escavados (principalmente tilápia, tambaqui, pirarucu, pacu). Já em água salgada ainda não temos dados para a produção de peixes, pois restringe-se há poucos produtores no litoral brasileiro. Assim, os números da produção aquícola em água salgada no país são puxados principalmente pelos camarões, cultivados em viveiros escavados no nordeste, as ostras e mexilhões do litoral de Santa Catarina e Paraná e em menor número a produção de vieiras no litoral do Rio de Janeiro e São Paulo. Ao contrário das ostras e vieiras, que são cultivados em lanternas (tipo de estrutura que acomoda as sementes desses moluscos), os mexilhões são cultivados em redes tubulares, as quais são envoltas em grandes estacas, fixas no mar, ou em cordas.

 

Há algumas diferenças que podemos citar quando se trata de cultivo de animais em ambientes de água doce e água salgada. Do ponto de vista fisiológico, por exemplo, os peixes de água doce são considerados hiperosmóticos, uma vez que possuem uma concentração de sais no corpo maior do que a do meio. Assim, a tendência é de que ganhem água pelo processo de osmose, em que a água vai do meio menos concentrado para o mais concentrado. Para evitar que fiquem inchados de tanto ganhar água, os peixes de água doce tendem a fazer uma urina altamente diluída e em maior quantidade. Já os peixes de água salgada possuem uma concentração de sais interna menor do que a do meio, sendo considerados hiposmóticos. A estratégia para que não percam tanta água pelo processo de osmose é beber muita água e eliminar o excesso de sais em uma urina, que é pouca, mas altamente concentrada e também eliminação de alguns sais via brânquias.

 

Do ponto de vista físico-químico, há também algumas diferenças, como por exemplo a toxicidade de alguns compostos, como amônia, nitrito e nitrato. Esses compostos nitrogenados são mais tóxicos em água doce, ou seja, a mesma concentração de amônia causa mais danos aos animais quando em ambiente de água doce do que em ambientes de água salgada. Em salinidade 35 a concentração de amônia total que mata 50% da população de camarões da espécie Litopenaeus vannamei é por volta de 39 mg/L. Já para salinidade 15 o valor da amônia é reduzido para 24 mg/L, de acordo com estudo de Lin e Chen em 2001. Ainda nesse sentido temos uma menor solubilidade do oxigênio em água salgada.