Glifosato, por que foi proibido?

Glifosato, por que foi proibido?


  • 10/10/2018

Grandes produtores há muito tempo vêm se utilizando abundantemente de produtos químicos para poder controlar as pragas e ervas daninhas existentes em suas lavouras.

Há quem diga inclusive que hoje não é mais possível plantar sem o uso desses herbicidas, pela eficácia dos mesmos e pela vasta extensão dos terrenos plantados.

Um dos produtos mais utilizados para eliminar essas infestações é o GIFOSATO, empregado a mais de 40 anos, por mais de 160 países. 

No Brasil, as autoridades que aprovam e registram o uso e a comercialização de produtos para a proteção de cultivos, incluindo os herbicidas à base de glifosato, são a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Segundo a bula, esse agrotóxico, é um herbicida não seletivo, de ação pós-emergente, encontrados na forma de concentrado solúvel permitindo o controle total de plantas daninhas tanto na parte aérea, quanto nas raízes. 

Glifosato é o defensivo agrícola mais utilizado no mundo. Na Argentina, são usados mais de 200 milhões de litros por ano.  Já no Brasil são mais de 180 milhões, beneficiando grandes e pequenos produtores. 

A aplicação em muitas lavouras é realizada pelo ar, o que torna a dissipação ainda mais perigosa por ser carregada pelo vento, afetando áreas vizinhas, pessoas que moram ou passam nas proximidades, expandindo dessa forma a intoxicação, apresentando os malefícios anos mais tarde. 

O estado do Piauí ocupa a 14ª posição no ranking dos estados consumidores desses produtos químicos, alcançando o equivalente a 3,18 quilos por habitante, que passaram a sentir os efeitos nocivos da utilização excessiva desse produto. 

Em pesquisa realizada num programa de pós-graduação, um dos estudantes constatou que o glifosato foi encontrado em 83,4% das amostras obtidas na maternidade do Hospital Regional Dirceu Arcoverde (HRDA), em Uruçuí, indicando contaminação no leite materno. Na mesma pesquisa constatou-se que 23,1% das entrevistadas tiveram a gravidez interrompida de uma a quatro vezes.
A Organização Mundial da Saúde declarou que o glifosato pode ser cancerígeno. Em uma publicação na revista The Lancet Oncology, a OMS declara que existem provas suficientes de que o herbicida causa linfoma não-Hodgkin em animais. Em seres humanos, no entanto, os estudos ainda não foram comprovados, concluindo-se apenas que o glifosato foi detectado no sangue e na urina de trabalhadores agrícolas, sugerindo absorção. O linfoma não-Hodgkin é um câncer que ataca os linfócitos que fazem parte do sistema imunológico.

Diante desse cenário e da dimensão atingida pelo produto, a primeira instancia da Justiça Federal, determinou que a União suspendesse, no prazo de 30 dias, o registro de tais produtos e a retirada do mesmo do mercado até a conclusão pela Anvisa de procedimentos de reavaliação toxicológica das substancias.

No entanto, a liminar foi suspensa pelo TRF-1 que considerou a retirada do produto uma lesão à ordem pública e que causaria graves impactos à economia do país.

Caso não consigam êxito junto ao TRF-1, o próximo passo é recorrer ao Superior Tribunal de Justiça na tentativa de conseguir uma liminar para que os produtores possam ao menos, fazer uso do agrotóxico na safra 2018/2019.