O Brasil pode se tornar uma superpotência em aquicultura?

O Brasil pode se tornar uma superpotência em aquicultura?


  • 20/09/2019

A produção aquícola brasileira vem crescendo, frente a um setor que se consolida a cada ano que passa.

Assim, a resposta ao título já está clara: sim, o Brasil pode se tornar uma superpotência aquícola.

 

De acordo com o relatório da FAO que diz respeito ao estado mundial da pesca e aquicultura (2016), estima-se que o Brasil deva registrar um crescimento de 104% na produção da pesca e aquicultura em 2025. Segundo o estudo, o aumento na produção brasileira será o maior registrado na região durante a próxima década, seguido pelos países México (54,2%) e Argentina (53,9%). O crescimento nacional será relativo aos investimentos feitos no setor nos últimos anos.

 

Alguns países já estão de olho no potencial brasileiro para a aquicultura, como é o caso da Noruega. Encontros já ocorreram no Brasil para firmar parcerias e trocar conhecimento. A aposta dos noruegueses é de que o país possui capacidade para produzir cerca de 4 milhões de toneladas de pescado. E qual seria o carro chefe desse desenvolvimento? a tilápia.

 

Em 2017, segundo dados levantados pela Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe Br), o país teve um feito inédito, tornando-se o 4° maior produtor de tilápias do mundo, com 357 mil toneladas produzidas. Em 2018 os números seguiram animadores, com mais de 400 mil toneladas de tilápia provenientes da aquicultura.

 

O Brasil é um país rico em recursos hídricos e a maior produção de grãos concentra-se aqui. Somados esses dois fatores à disponibilidade de mão de obra, a dimensão continental do país e ao crescente número de investidores e entrada de novos produtos e tecnologias, com certeza vislumbra-se o Brasil como uma superpotência aquícola.

 

Não somente de água doce, mas o país também é rico em água salgada, tendo sua costa banhada em quase 8 mil km pelo oceano, o que também soma-se ao potencial de produção. O sul do país por exemplo, que já produziu camarão até ser afetado pela mancha branca em 2004, está retomando a produção para aumentar ainda mais os dados da carcinicultura no país, que atualmente restringem-se quase que em sua totalidade ao nordeste do Brasil.

 

De acordo com o Anuário da Peixe Br, alguns estados que hoje possuem uma tímida produção de peixes, como é o caso do Espírito Santo, projetam um aumento nos números. O mesmo vale para outros estados, como Goiás, Maranhão, Tocantins, Pará, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e outros.

 

De acordo com a organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a produção aquícola é a forma mais rápida de produzir proteína animal. Sendo esta portanto, considerada uma atividade essencial no combate à fome e ao suprimento de alimentos em todo o mundo. Assim, a aquicultura deve receber apoio e políticas públicas adequadas para que cada vez mais as potencialidades sejam consolidadas a fim de que o Brasil de fato seja reconhecido como um dos grandes produtores e exportador mundial de proteína aquática.