Passou do tempo da despesca, vou ter lucro ou prejuízo?

Passou do tempo da despesca, vou ter lucro ou prejuízo?


  • 22/08/2018

A despesca é o momento da retirada dos peixes do ambiente de cultivo que pode ser viveiros escavados, tanques-rede ou tanques elevados, para serem processados e comercializados.

Esse momento chega quando os animais atingem o peso mínimo considerado para que seja possível o abate. Contudo, nem sempre o piscicultor resolve tirar os peixes quando atingem o peso mínimo ou, em alguns casos, acaba perdendo o tempo de despescar e tem no seu viveiro um peixe maior.  

No primeiro caso essa decisão pode se dar por alguns fatores como por exemplo, mercado desfavorável e preços baixos ou então pela opção de fazer um peixe maior que tenha um preço diferenciado. No segundo caso é por simples falta de planejamento e falta de cuidado com biometrias e rotinas diárias que auxiliam no acompanhamento da produção. Mas e aí, em ambos os casos, terei lucro ou prejuízos?  

Essa é uma pergunta que não tem uma única resposta, pois cada produção possuí características e seguem manejos, que apesar de muito semelhantes, não são iguais. Mas de modo geral algo semelhante para quem quer um peixe por mais tempo na fase de engorda é mais gastos com ração, com energia elétrica para prover aeração (principalmente com uma biomassa de peixes maior) e gastos com mais tempo de mão de obra. Ainda, nesses casos, tem o risco de manter os peixes por mais tempo e passar por problemas como falta de energia elétrica, acometimento por doenças, estresse por uma queda de temperatura, etc.  

Por outro lado, o valor agregado que possuí um peixe de tamanho maior pode ser um fator positivo no negócio. A diferença no preço que é pago pode chegar até R$ 1,50/kg entre um peixe de 600g e um peixe de 1000g. Conforme comentado pelo zootecnista Thiago A. da Silva em um artigo publicado na Revista Aquaculture Brasil (ed. N° 7, 2017), um ponto decisivo para que esse período a mais de cultivo seja positivo, vai depender diretamente da conversão alimentar (C.A), visto que a ração é responsável por aproximadamente 70% dos custos de produção. Portanto, uma alimentação otimizada pode fazer com que a margem de lucro para o produtor seja positiva.  

Além disso, uma análise de mercado com o preço pago ao produtor e o preço do kg da ração, aliados a um bom manejo, são fatores que influenciam e devem entrar no planejamento de uma produção com despesca de peixes maiores.  Esses fatores podem variar de acordo com a região, sendo imprescindível colocar na ponta do lápis de forma detalhada os preços e valores de tudo, afim de melhorar ainda mais a margem de lucro e saber se compensa realizar uma despesca mais tardia. No artigo Thiago deixa uma tabela, disponível online, onde é possível simular uma condição de venda, afim de se obter um lucro máximo. A mesma pode ser conferida através do link https://goo.gl/12j4s5.
 

No mais, desejamos uma boa despesca! E antes de qualquer passo, o importante é se planejar ao invés de deixar o tempo da despesca passar.  

Fique por dentro das notícias e novidades da Trevisan, siga-nos nas redes sociais, Facebook e Instagram!